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Turismo em Buenos Aires

Guia Secreto de Buenos Aires, dicas e mitos sobre a cidade dos alfajores



Uma cidade que tem um monumento à corrupção e taxistas com um aparelho instalado no veículo para aumentar, clandestinamente, o valor da corrida. Cidadãos apaixonados por futebol e que acorrem ao cemitério local para rezar e fazer pedidos a um cantor popular. Poderia ser uma cidade brasileira, mas o cenário é o de Buenos Aires, capital da nossa vizinha Argentina. O melhor alfajor, as lendas urbanas, as histórias fantásticas, o charme europeu, a arrogância e, ao mesmo tempo, o autodesprezo: tudo isso e muito mais está reunido no Guia Secreto de Buenos Aires, do jornalista Duda Teixeira, que chegou às livrarias no último dia 16.

Em todas as 111 histórias de lugares curiosos e misteriosos da cidade contidas no livro, há ao menos uma surpresa: a saudação vulcana de Star Trek em uma parede da sinagoga do Museu Judeu. Os mapas da Argentina, cheios de mentiras, estão por toda a rua Florida, para ser vistos pelos turistas. Os canibais estão escondidos em algum restaurante do Bairro Chinês. Os símbolos da maçonaria decoram o friso da Catedral Metropolitana. Nas noites frias, um fantasma excitado ronda a Praça Dorrego, aquela da feirinha de antiguidades. Tem ainda os bosteros no La Bombonera. O telefonema do papa Francisco, que tocou em uma banquinha de jornal na Praça de Mayo. O degrau roubado do orfanato Strawberry Fields, que foi parar no Museu Beatle. Os voos da morte no Aeroparque. O Fernet com Coca. O alfajor. O Malbec.

Duda Teixeira, que visita a cidade uma ou duas vezes por ano, a trabalho ou turismo, teve a ajuda de alguns “hermanos” para escrever a obra. “Falei com sommelier, recepcionista de motel, taxista, cuidador de cemitério, guia turístico, dono de banca de jornal, historiador, psicólogo, veterano das Malvinas, vendedor de comida de rua e garçom”, conta o autor. Para ele, os brasileiros que vão a Buenos Aires com frequência, são fãs dos vinhos e alfajores e gostam de alimentar a rivalidade – principalmente no futebol -, vão achar graça ao ler capítulos que depreciam símbolos da cidade. “Ao mesmo tempo surgirão comparações incômodas, principalmente quanto às nossas semelhanças. A corrupção, o populismo, o desprezo à ética e a desorganização são males que estão na história dos dois países”, afirma Duda.

Leia um trecho abaixo:

O jornaleiro do papa – Banca de revistas – Hipólito Yrigoyen, 478

Cinco dias após a nomeação do cardeal argentino Jorge Bergoglio, hoje papa Francisco, o telefone dessa banquinha na Praça de Mayo tocou. Quem atendeu foi Daniel del Regno, o filho do dono.
“Oi, Daniel, aqui fala o cardeal Jorge”, disse a voz.
“Fala, Mariano, não seja boludo”, respondeu Daniel, que imaginou tratar-se de um amigo ligando para tirar um sarro.
Do outro lado, a pessoa insistiu: “É sério, sou Jorge Bergoglio, estou ligando de Roma.”
Daniel, então, começou a chorar, em estado de choque.
Ele e seu pai, Luis, é que entregavam o jornal La Nacion no escritório de Francisco na rua Rivadavia, 413. Às vezes, era o cardeal quem ia pessoalmente até a banca retirar o seu exemplar. Conversava durante dez minutos e depois pegava o ônibus. Depois de se mudar para Roma, Francisco fez questão de ligar para pedir que não entregassem mais o jornal em seu escritório.
Luis contou ao La Nacion uma conversa que teve com Jorge antes que este embarcasse para participar do conclave na Capela Sistina, em Roma.
“Jorge, você vai pegar aquela batuta?”
E Bergoglio, que na viagem se tornaria papa, respondeu:
“Aquilo é um ferro quente. Nos vemos daqui a vinte dias.”
Francisco sempre levava o jornal com um pequeno elástico, para que ele não abrisse com o vento ou a chuva. No final do mês, passava na banca para devolvê-los. Os trinta.

Duda Teixeira é jornalista e editor de Internacional da revista Veja. Escreveu, com Leandro Narloch, em 2011, o Guia Politicamente Incorreto da América Latina. Em 2007, publicou O Calcanhar do Aquiles, sobre a Grécia Antiga.

Ficha técnica

– Guia Secreto de Buenos Aires
– Autor: Duda Teixeira
– Editora Record | Grupo Editorial Record
– 208 páginas
– R$ 39

Fonte.

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